Novas prisões de fraudadores de concursos podem acontecer em Campo Maior

                    
            Corregedor da Policia Civil, Adolfo Cardoso



O delegado Kleydson Ferreira afirmou que a organização criminosa presa na Operação Infiltrados, deflagrada pela Polícia Civil do Piauí, também atuou em outros estados.

“Depois desse concurso da Polícia Civil, em 2011, eles passaram a atuar em outros certames públicos e vestibulares do Estado, assim como também, nos estados do Paraná, Ceará e Paraíba. Nesses outros lugares, eles se articulavam da mesma maneira como faziam aqui no Piauí”, relatou Kleydson Ferreira.


“Utilizavam um celular muito comum que é praticamente de plástico, e que dava para passa no detector de metais. Depois passaram a utilizar ponto eletrônico do tamanho de um grão de arroz. Os nomeados integravam a Policia Civil e trabalhavam com a quadrilha, conseguindo mais pessoas para comprar gabaritos”, explicou.

Além de cooptar novos 'clientes' os políciais também ameaçavam os beneficiados para que eles pagassem o valor cobrado pelo gabarito.

De acordo com Kleydson, os diplomas dos acusados serão investigados. “Alguns apresentaram erros no curso de formação. E nas provas de uns dos acusados aprovados no concurso, foram identificados erros ortográficos grotescos”, disse.

Erros grosseiros

Ainda de acordo com o delegado Kleidson, uma das candidatas aprovadas por meio da fraude chamou atenção dos professores durante o curso de formação. Em suas provas foi possivel ver erros grosseiros de português, lógica, e até dificuldade em assimilar assuntos, condição não condizente com uma pessoa que é aprovada em um concurso de grande concorrência. 

"Em uma disciplina, o candidato podia reprovar mas não era excluído, pois havia uma espécie de recuperação. Ela passou no concurso, começou a fazer o curso de formação, mas reprovou na prova de armamento e tiro e acabou sendo eliminada", afirmou. A candidata em questão chegou a escrever “fragrante” e "prissão", em respostas de uma prova.

 Operação Infiltrados

A Polícia civil divulgou no início da tarde desta terça-feira (9) a relação de presos e instigados na Operação Infiltrados, que desarticulou uma organização criminosa composta em sua maioria por agentes de Polícia Civil, especializada em fraudes a concursos públicos e outros crimes, cuja atuação culminou em fraude ao concurso público de Agente de Polícia Civil realizado em 2012.

De acordo com o delegado Adolfo Soares, Corregedor da polícia civil, os acusados foram afastados de suas funções. “Recolhi o amamento de todos eles, suas carteiras funcionais e eles estão afastados, e o provável que ao fim do inquérito eles sejam demitidos”, afirmou.

Entre os presos estão policiais civis, professores, agentes penitenciários e um acadêmico de medicina e um advogado.

Os policiais civis investigados na operação Infiltrados foram aprovados no concurso, eles teriam pago pelo gabarito na época, o valor equivalente a dez vezes o salário de agente era de R$ 2.500, pagando o total de R$ 25 mil.

As investigações iniciaram a pouco mais de um ano, com a operação Veritas, no ato do cumprimento de busca e apreensão.

“O nosso primeiro passo foi oficializar a investigação junto a Nucepe para a realização do cruzamento de gabarito. Depois verificamos o histórico funcional dos policiais civis. O que nos chamou atenção foi a quantidade de gabaritos com o mesmo número de erros”, afirma delegado geral Riedel Batista.


“Ao todo são 23 mandados de prisão e já cumprimos 21 mandados. As investigações apontaram que os policiais civis teriam pago pelo gabarito e divulgaram a venda do mesmo. O valor do gabarito era dez vezes o salário de agente, algo em torno de R$25 mil”, declara o delegado kledyson Ferreira.

Operação Véritas

Deflagrada em março do ano passado, a Operação Véritas desarticulou grupo criminoso acusado de fraudar o concurso para cargos do Tribunal de Justiça do Piauí, e o concurso da Prefeitura de Capitão de Campos, realizado em 13 de dezembro de 2015, e outros concursos públicos.

A operação deverá cumpriu mais de 100 mandados, entre busca e apreensão e prisão. Entre os detidos estavam agentes penitenciários e policiais civis, que faziam parte dessa quadrilha especializada em fraudar concursos.

 Na cidade de Campo Maior foram presos dois agentes policiais aprovados de forma fraudulenta no concurso da Polícia Civil de 2012 e que estavam trabalhando no município como se nada de irregular tivesse acontecido.Outras irregularidades estão sendo investigadas no município e novas prisões podem acontecer a qualquer momento.
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